PF aponta Canella como articulador de grupo suspeito de movimentar R$ 7,6 bilhões
Ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito foi preso na oitava fase da Operação Unha e Carne.
Redação Brasil pela Direita • 15 out 2026 • 2 min de leitura

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. Em representação ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores o apontam como um dos principais responsáveis pela articulação política de uma organização suspeita de usar postos de combustíveis para lavar dinheiro.
Segundo a PF, Canella teria intermediado relações entre agentes públicos, empresas do grupo e integrantes de organizações criminosas armadas. Os investigadores também atribuem a ele indicações de aliados para funções estratégicas no governo estadual e o recebimento de recursos de origem suspeita. A apuração envolve possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de combustíveis e cartel.
Entre as indicações investigadas está a de Marcus Vinicius Amim Fernandes para presidir o Detran-RJ e, depois, comandar a Polícia Civil fluminense. A PF afirma que Canella articulou uma alteração na legislação estadual para reduzir exigências de tempo de serviço para o cargo. Amim, também preso nesta quinta-feira, é suspeito de ter usado suas funções públicas para proteger as atividades do grupo.
Com base, entre outros elementos, em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a investigação identificou movimentações de aproximadamente R$ 7,64 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026. O levantamento relacionou 835 pessoas e empresas a 2.171 comunicações de operações suspeitas, além de apontar quase R$ 310 milhões em depósitos em espécie. Para a PF, os postos permitiam combinar faturamento regular com recursos ilícitos para ocultar sua procedência.
Canella já havia sido preso em julho, quando policiais encontraram um fuzil de calibre restrito em seu veículo durante uma busca. Sua prisão preventiva foi posteriormente revogada pelo ministro Alexandre de Moraes. Naquele período, era pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro (PL), mas decidiu concorrer novamente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro após a repercussão do caso. Apesar de um pedido da Procuradoria Regional Eleitoral para barrar sua candidatura, o Tribunal Regional Eleitoral autorizou sua participação na eleição.
Fontes
- Jovem Pan: https://jovempan.com.br/brasil/marcio-canella-rio-de-janeiro-policia-federal/


